Um Novo Olhar

Um Novo Olhar

9 de janeiro de 2019 0 Por
Por Heitor Blesa

 

Lá no fundo.
Bem lá no fundo.
Lá no fundo dos meus olhos
Enerva-se uma dor.
Uma dor de ver o mundo
Envolto em escolhos
Que destroem o amador.

Não que eu seja um grande sofredor,
Mas as peripécias da vida
No melhor estilo tragicômico
Possuem um amargor
Que deixa a mente aturdida
Tal qual um assombro astronômico.

Num enredo dicotômico
Entre o que sou e o que poderia ser
Fragmento-me enquanto homem
Desintegrando-me em nível subatômico
Para poder escolher
Uma vida entre as dúvidas que me consomem

Sem permitir que me domem
Na atra condição
De prisioneiro ancestral
Aos pensamentos que não somem
Para o aperfeiçoamento da razão
Rumo ao ser ideal

Anseio com um sonho tornando-se real
Onde todas as assombrações
Do ser que hoje sou eu
Não sejam grilhões para animal
Sensível em emoções
Que às agruras sobreviveu

Nutrindo-me daquilo que em mim morreu
Enterrarei as memórias como sementes
Para assim poder fazer brotar
Uma nova história com aquilo que é meu
Que florescerá em dimensões transcendentes
Elevando-me a outro patamar.