Motivacional

Motivacional

5 de maio de 2019 1 Por
Por F.

Os desejos não são meus
Estou deixando ir
Desfiguro-me
Tormenta que não descansa
Que não sente e finge
Minha carne pede
Mas não sou eu
Fragmentei-me

E quem acusa descaso, mente!
Não foi se não de muita ventura
Que eu deixei de me cobrir em lascívias
Fissuras desnecessárias
Os dentes já não mordem mais
Já não sugam nenhum néctar

Do que mais é feita a vida
Se não da negação?
Vestes malditas
Infantis
Benevolência engana
Podridão nos aguarda
Aguardente é o melhor formol

És um buraco em busca de outro
Não vês que tua incompetência
E teu furor
São a tua maquinaria?
Por estas, parei de fingir!
Eu sou brusca
Não me contento me ocupando de gente
Tenho asco

Embriaguei-me em vinho
Regurgitei todas as criações dessa escória
Que finge inovar repetindo o velho
E não tenho rancor
Sorrio até
Me enobrece olhar que tais existências estão fadadas
À miséria autoflagelada

E não me venhas com promessas
Não há como melhorar
Não merecem nem as varejeiras
Que sobrevoam a salmoura dos teus corpos fétidos
E não me preocupa
Pois todo dia é dia de morte
E Carnaval no inferno

Teu pudor me anima
Persona linda que tapa a boca
Mirando o próprio reflexo
Ensaiando a expressão de horror
Não te assombres!
Assuma que gosta da patifaria
Ninguém te ronda neste instante
Exceto os teus próprios dejetos
Que produziu ao longo de toda uma vida de entrega
Aos teus devaneios de altruísmo

Masturbação coletiva
Cercada de boas intenções
Em nada me engrandecem
A única mão amiga que aceito
É a que apunhala
De preferência pelas costas
Assumindo a sua natureza imprestável
A qual jamais negarei que sou

Por isso, peço-te
Não me toque
Não me cheire
Não me deseje ou abrace
Não quero nada que for teu
Já tenho meus próprios dejetos para carregar
Beba mais um pouco do vinho
E verás que desejo e dejeto
São na verdade uma palavra só
Ou formas diferentes
De descrever a mesma merda