Menino do Mato

Menino do Mato

6 de maio de 2019 1 Por
Por Paulo Andrade

“Menino do Mato” é a primeira obra do Manoel de Barros que tive a oportunidade de dedicar a leitura. Antes, só alguns fragmentos do autor. A minha escolha por ela se deu mediante uma expectativa ingênua, espontânea, a qual mal se constituía na consciência. Buscava um passeio num terreno gracioso, onde pudesse andar descalço por todos os cantos, em qualquer sentido, com passos aliviados por não ter lugar pra ir, nem hora pra chegar. E, sinceramente, penso que fui certeiro.

Tenho uma atenção especial às narrativas despretensiosas, as que têm por finalidade elas mesmas e se satisfazem em suas próprias trajetórias. Neste contexto, as palavras de Barros não originam-se de uma racionalidade previamente concebida, aliás, escapam dos imperativos gramaticais, suprindo-se em suas novas formas e sentidos. Assim, pude perceber a poesia em seu modo genuíno, debruçada e abraçada em seus absurdos e devaneios.

Nos percursos desta obra, me despi da vida cotidiana. Sem pano e sem vergonha, caminhei descaradamente por entre as lembranças de um menino. Levei-me aos suspiros, à mata e ao relento. Repousei agarrado à tarde e à solitude. Contei histórias às pedras e ao vento. Só não contava com o fim do passeio.